Hoje é o dia da comemoração da morte de Elliott Smith. Em circunstâncias um tanto quanto estranhas – uma facada no peito – seu suicídio até hoje é assunto(a última notícia foi de sua então namorada e um processo para receber o dinheiro de vendas de discos, pois na época além da cama, ela cuidaria da grana de Smith).
Apesar de gostar de sua música, eu nunca fui atrás de seus discos. Apesar de adorar Miss Misery e querer enteder mais sobre sua música, nunca tive muitas oportunidades… eu sempre penso que é bom ter alguns artistas guardados na manga, para em algum momento falar: hoje é o dia de conhecer Elliott Smith. O ultimo desta minha lista foi Jeff Buckley, e o sentimento é simples: porque eu não escutei isso antes?
Em 2003 a Domino estava comemorando 10 anos de existência com uma série de shows em Londres. Stephen Malkmus e Quasi foram escalados para tocar no Shepherds Bush Empire; perder este show era algo que não passava pela minha cabeça, princpialmente por causa do Quasi.
Eu tenho certeza que Featuring Birds foi o disco que eu mais escutei em 98, talvez um dos discos mais sinceros já gravados; sinceros e simples. Depois de um tempo, fui descobrir que Janet era baterista do Sleater Kinney e Sam Coomes era parte da primeira banda de Elliott, Heatmister. O próprio Quasi era a banda de apoio de Elliott. Ou seja, a banda tinha pedigree.
Mas sendo extremamente honesto e sem querer criar um mito, o show do Quasi foi mais ou menos. A maioria das músicas eram dos dois ultimos discos, que não tem a menor graça… quem sabe em meia hora, dois momentos sublimes aconteceram, mas eu nem consigo lembrar de alguma música incrível sendo tocada, quem sabe Golden Egg. Para mim a melhor parte foi ver Janet tocando; sem a menor dúvida ela é uma das melhores bateristas do universo.
De certa maneira, a noite estava perdida. Porque eu já tinha visto uns 4 ou 5 shows do Stephen Malkmus, incluindo pelo menos um memorável em São Paulo. Eu estava lá para ver o Quasi. Malkmus seria um bonus muito bom para uma noite incrível, caso o Quasi tivesse feito um show que só na minha cabeça existiu.
Enquanto o São Paulo show demonstrou uma tendência prog/Television, em Londres os duelos de guitarra foram longos e incríveis(troque o prog anterior pelo folk), nos meses que separaram estes dois shows, a banda tinha mudado ainda mais, estava ainda mais solta e confiante no material. Mas ainda não era nada que fizesse minha vida mudar. A não ser por uma música, por uma simples música que tornou a noite memorável. Malkmus vai até o microfone, e com o seu jeito de estagiário fala: “como todo mundo sabe, Elliott Smith morreu, ele era meu amigo, amigo do Quasi, todos estamos tristes”, depois de uma curta pausa, ele emenda “eu não toco esta música a muito tempo, e queria dedicar a ele”. E aquela melodia beirando o brega americano, aquela levada country, aquilo tudo que em 1994 nós amamos tanto, chamada “Range Life” começa a encher o lugar. Quem sabe para mim, fez muito mais sentido. Tirando “Here” no show em São Paulo, foi mais próximo que eu consegui chegar do Pavement. E com aquele momento, um simples momento, ficou claro que a noite não tinha sido incrível, mas tinha sido única.