Belle & Sebastian – Dear Catastrophe Waitress

November 6, 2007 - Leave a Response

“Você não acha que esta música parece The Clash?”, foi a pergunta que Geoff Travis(lenda viva, mais conhecido como criador da Rough Trade e por consequência, absolutamente tudo que esta ligado a música independente hoje em dia) fez para mim. Eu não sabia nem o que estava acontecendo naquele lugar. Riverside Estudios em Glasgow, ao lado do Rio Clyde, esta era a coordenada geográfica. O mês era Janeiro, ou seja, 3 horas da tarde/noite, frio e confusão.

A banda tinha me convidado para ir escutar as músicas do que viria a ser o Dear Catastrophe Waitress, eu não tinha idéia que Geoff e Jeanette Lee(sócia de Geoff na Rough Trade, e quem sabe ainda mais que isso, ex-integrante do PIL) estariam lá, que esta até então inocente tarde seria o dia que oficialmente a banda mostraria seu próximo disco para a sua futura gravadora. Eu não tinha que estar ali, comecei a me sentir mau, eu não era nem o representante da gravadora Americana ou japonese, mas o primo pobre brasileiro.

I’m A Cuckoo, If You Find Yourself Caught In Love ou Lord Anthony foram tocadas na sequência, com a banda tão nervosa quanto eu. Quando Lord Anthony acabou, do outro lado da parede dava para escutar o Teenage Fanclub tocando, neste momento eu fiquei gelado, de imaginar que eles estavam ao lado ensaiando(até aquele momento, apesar de conhecer a banda toda, eu nunca tinha visto eles ao vivo). A última música foi Stay Loose, a tal música The Clash, que apesar de eu concordar com Geoff(acho que eu concordaria com qualquer coisa naquele momento), tenho que confessar que eu nunca entendi muito bem esta conexão.

Depois da premiere, enquanto todos pegavam seus casacos, ainda dava para escutar o Teenage tocando, “Sparkys Dream”, Stevie cantarolava junto com o abafado som que vazava pela parede.

Depois de um jantar com a banda toda, a solução foi achar outro lugar para beber, afinal nunca existiram muitas opções para a noite em Glasgow, por isso tantas bandas, se você nao está em tour, você esta gravando, se você não esta gravando, você esta bebendo com seus amigos para ter idéias para o próximo disco… sabe, algo como uma versão inofensiva de “Taking Drugs To Make Music To Take Drugs” do Spacemen 3. Naquela noite eu fui apresentado ao White Russian por Richard, discuti a Tropicalia com Sarah e seu namorado, conversamos sobre idéias para um single em português(que viria a ser Casaco Marrom) e vivemos a vida, aquela típica noite que quando termina, você fala: eu preciso mudar para esta cidade.

“Tonto” – Battles

November 6, 2007 - Leave a Response

“I Have Battles in My Life”, esta era a mensagem estampada em camisetas que circulavam em Londres na virada 05/06, uma época em que todos procurávamos uma alternativa ao fato do Tortoise não ser mais o Tortoise ou ao fato do Jaga Jazzist não ter resistido bravamente ao seu terceiro disco, uma época em que o experimentalismo era o mais radical possível ou extremamente diluido, a equação “diversão e arte”, estava completamente esquecida.

Neste exato momento de desespero, o Battles apareceu com seus EPs, que apesar de não mostrar nada muito novo,pelo menos possuia uma intensidade até então esquecida. As pessoas tendem a colocar todo o peso desta banda no baterista John Stanier(somente ex-Helmet) e Tyrondai Braxton(somente filho de Antony Braxton), mas a verdade é que esta banda é como uma piramide de taças(tente tirar uma ou achar a mais importante?): a soma de 4 músicos que parecem ter resgatado a vontade de tocar rápido e complicado, nunca soando como uma pesquisa de faculdade.

Na maior parte do tempo, seja ao vivo ou em suas gravações, o maior desafio do ouvinte é entender o que esta acontencendo, de onde vem cada som, o que é cada som. Aliado a precisão milimétrica dos tempos, intensidade e texturas nada usuais(retiradas muitas vezes da tão decantada guitarra elétricca), o Battles lançou um dos discos do ano, “Mirrored”, cortesia da inglesa Warp Records.

Neste exato momento em que a banda se prepara para tocar em solo brasileiro, o EP Tonto foi lançado lá fora. O EP vale o seu suado dinheiro(sim eu já sei que você vai simplesmente baixar as músicas) pelo remix do Four Tet(para a faixa título) e pela versao ao vivo de Leyendecker. Existem outras faixas no EP, um remix sem sal feito pelo The Field e outro do Dj EMZ, mas nada de mudar a vida, como o do Four Tet, que como qualquer remix que importa, aponta uma nova direção para a faixa.

16 Nov 2007 Elektronika Fest @ Roxy Club Belo Horizonte
19 Nov 2007 20:00 Era so o que faltava Curitiba
21 Nov 2007 20:00 Clash Club Sao Paolo
25 Nov 2007 20:00 Centro Cultural Oscar Niemeyer Goiania

Não preciso nem dizer que este show é obrigatório.

Stephen Malkmus + Quasi @ Shepherds Bush Empire

October 22, 2007 - Leave a Response

 

Hoje é o dia da comemoração da morte de Elliott Smith. Em circunstâncias um tanto quanto estranhas – uma facada no peito – seu suicídio até hoje é assunto(a última notícia foi de sua então namorada e um processo para receber o dinheiro de vendas de discos, pois na época além da cama, ela cuidaria da grana de Smith).

Apesar de gostar de sua música, eu nunca fui atrás de seus discos. Apesar de adorar Miss Misery e querer enteder mais sobre sua música, nunca tive muitas oportunidades… eu sempre penso que é bom ter alguns artistas guardados na manga, para em algum momento falar: hoje é o dia de conhecer Elliott Smith. O ultimo desta minha lista foi Jeff Buckley, e o sentimento é simples: porque eu não escutei isso antes?

Em 2003 a Domino estava comemorando 10 anos de existência com uma série de shows em Londres. Stephen Malkmus e Quasi foram escalados para tocar no Shepherds Bush Empire; perder este show era algo que não passava pela minha cabeça, princpialmente por causa do Quasi.

Eu tenho certeza que Featuring Birds foi o disco que eu mais escutei em 98, talvez um dos discos mais sinceros já gravados; sinceros e simples. Depois de um tempo, fui descobrir que Janet era baterista do Sleater Kinney e Sam Coomes era parte da primeira banda de Elliott, Heatmister. O próprio Quasi era a banda de apoio de Elliott. Ou seja, a banda tinha pedigree.

Mas sendo extremamente honesto e sem querer criar um mito, o show do Quasi foi mais ou menos. A maioria das músicas eram dos dois ultimos discos, que não tem a menor graça… quem sabe em meia hora, dois momentos sublimes aconteceram, mas eu nem consigo lembrar de alguma música incrível sendo tocada, quem sabe Golden Egg. Para mim a melhor parte foi ver Janet tocando; sem a menor dúvida ela é uma das melhores bateristas do universo.

De certa maneira, a noite estava perdida. Porque eu já tinha visto uns 4 ou 5 shows do Stephen Malkmus, incluindo pelo menos um memorável em São Paulo. Eu estava lá para ver o Quasi. Malkmus seria um bonus muito bom para uma noite incrível, caso o Quasi tivesse feito um show que só na minha cabeça existiu.

Enquanto o São Paulo show demonstrou uma tendência prog/Television, em Londres os duelos de guitarra foram longos e incríveis(troque o prog anterior pelo folk), nos meses que separaram estes dois shows, a banda tinha mudado ainda mais, estava ainda mais solta e confiante no material. Mas ainda não era nada que fizesse minha vida mudar. A não ser por uma música, por uma simples música que tornou a noite memorável. Malkmus vai até o microfone, e com o seu jeito de estagiário fala: “como todo mundo sabe, Elliott Smith morreu, ele era meu amigo, amigo do Quasi, todos estamos tristes”, depois de uma curta pausa, ele emenda “eu não toco esta música a muito tempo, e queria dedicar a ele”. E aquela melodia beirando o brega americano, aquela levada country, aquilo tudo que em 1994 nós amamos tanto, chamada “Range Life” começa a encher o lugar. Quem sabe para mim, fez muito mais sentido. Tirando “Here” no show em São Paulo, foi mais próximo que eu consegui chegar do Pavement. E com aquele momento, um simples momento, ficou claro que a noite não tinha sido incrível, mas tinha sido única.